terça-feira, 14 de junho de 2011

A pedagogia da Autonomia - Paulo Freire


Freire,Paulo.1996.Pedagogia da Autonomia .Ed. Paz e Terra.São Paulo-pag.1-146


O objetivo de Freire neste livro é discutir a prática educativa progressista, abordando temas indispensáveis para o exercício docente na formação do educando.

O autor detalha que não há como você ser um bom professor se não for um bom aluno. Ele destaca que só educa quem se deixa educar criando situações para que a formação aconteça. Deve ser uma constante no educador habituar-se a desenvolver um olhar crítico do mundo e levar o educando a mesma prática. Acontecimento certo quando há envolvimento com a formação. Quando pesquiso,quando questiono,indago inquietamente para investigar o novo, me aprofundo na teoria não para criticar,mas absorver, para que em sala de aula, na vida real do educando seja capaz de gerar pensamentos,relações e reflexões sobre essa realidade,respeitando seu conhecimento prévio gerado por sua correlação com o mundo a sua volta.Pensar e fazer andam juntos.São práticas indissociáveis. Paulo Freire deixa claro que o que faço define quem eu sou, e, se me deixo levar pelas ideologias,me esquivo do pensar certo,rejeitando o novo e vivendo por sistemas de idéias possivelmente errôneas.É mister deixar que o educando em sua curiosidade ingênua,gerada de suas vivências, se supere indo à epistemológica,levando o educando a se   transformar e modificar o mundo a sua volta.Mesmo com uma rigorosidade metódica na inquietação indagadora da criticidade. Somos seres inacabados, portanto não detemos verdade absoluta. Porém,embora quebremos paradigmas,criamos outros para possivelmente serem rompidos.Se a escola não tiver a consciência do ser inacabado,passamos a taxar uns aos outros,como se fossemos perfeitos em nós mesmos.Podemos nos recriar,nos renovar.Nossa cultura predetermina o que devemos ser,mas não significa que devemos nos condicionar ao que nos é imposto.Desconstruo  meu legado para produzir outros condicionamentos e posteriormente os superá-los.

Diante disso, Freire destaca a importância de um educador buscar sua formação com qualidade. Um professor sem aprofundamento profissional não consegue ter domínio de sala, nem autoridade. Por isso a necessidade do equilíbrio entre autoridade de professor e liberdade de educandos.Contudo, torna-se necessário desenvolver o respeito mutuo para a formação do saber através da autonomia da responsabilidade por decisões tomadas por si mesmos. Freire aposta que se o aluno exercita sua liberdade autônoma é capaz de dentro do ambiente discernir a prática da teoria.O que obriga o educador a realmente se envolver com o que quer formar determinando ser impossível passar desapercebido diante da turma.O ensino tem de ser coerente com sua vivência.O ofício do educador é eficaz quando leva o aluno a ser sujeito de sua história ,quando inevitavelmente transforma seu mundo.Não se deixando “miopizar” nem se amaciar aceitando “pegar o trem pelo caminho” sem questionar de onde ele veio nem interferir para onde ele pode ir.
A realidade hoje é diferente das idéias de Freire. Mesmo o livro sendo repetitivo, é possível associar encaixando o perfil de escolas que se acomodam com conteúdos ultrapassados não se adaptando à realidade tecnológica.Muitos professores contribuem simplesmente para o equivoco de deixar como está,não se preparam,não se reciclam,vendo o educando somente como objeto de trabalho.A esperança do autor é contagiante e nos leva a realmente acreditar na mudança pedagógica da educação do país.



Experiência e Educação - Jhon Dewey

Dewey,John.Experiência e Educação.Ed.Vozes.São Paulo.2010

(Capítulos 1 a 8 )


Os objetivos de Jhon Dewey neste livro é avaliar os métodos usados em escolas tradicionais e escolas progressistas mostrando as diferenças entre ambas.

No livro Educação e experiência, o autor John Dewey faz uma crítica aos métodos tradicionais de ensino mostrando que a educação de cima para baixo limita a aprendizagem pela ausência de sua idéia de pragmatismo,em que para se obter\repassar uma conhecimento eficaz torna-se necessário a participação do educando em seu processo de desenvolvimento .O que não acontece quando se tem a idéia de que o professor é o único detentor do saber. Dewey expõe sua teoria afirmando também que é impossível não aprender se não houver a experiência.Porém experiência pode educar e deseducar .A experiência que educa é a que o educador motivado por sua renovação de verdades, envolve emocionalmente seus educandos no conteúdo.Ao ponto de viverem o que estão aprendendo, aprenderem melhor através de suas vivencias, e, assim ,motivá-los,deixando-os envolvidos, instigando-os ainda mais a buscar renovação de conhecimento. Pratica impossível quando não há um envolvimento entre educador e educando,trazendo experiências que impedem a continuidade ao conhecimento,quando os métodos mais inibem a criatividade da criança que desenvolvem o interesse.O Dr. Dewey, cita a liberdade assistida como forma de aprender aplicando o livre-arbítrio de espaço e autonomia no desenrolar da interdisciplinaridade prática, em que, através da envoltura de seus educandos com atividade proposta, o educador obtém o domínio do ambiente educativo.Sem imposições ou regras extremas de comportamento. Para tanto, torna-se necessária haver um propósito para aprender. Ter uma noção do porque é preciso observando sua realidade e onde se pretende chegar. Nos capítulos podemos perceber ainda a importância de estarmos desligados a verdades preestabelecidas. Principalmente quando se trata de desenvolver a aprendizagem cognitiva ou social de um indivíduo. Mesmo a educação tradicional sendo obsoleta em que já mesmo no rótulo dados de aluno aos “passivos de aprendizagem” em que significa sem conhecimento,não por sua vez totalmente descartável.Porém,sem experiência não há aprendizado eficaz.

O que é mais fácil: segurarmos verdades herdadas repassando a indivíduos mudos e passivos e continuarmos no comodismo de uma educação bancária de forma vertical,ou pesquisarmos a fundo formas de envolve-los no conteúdo empenhando-nos a renovar nossas idéias de ensino, elaborando conteúdos dinâmicos que leve as crianças a serem sujeitos de sua próprias história, ao ponto de perceberem que não há como seguir sem romper um pouco mais a sua curiosidade?

O que mais nos motiva a estudar sobre as idéias do autor é que ele nos lembra que é possível haver liberdade com disciplina. Que podemos desenvolver atividades com domínio do ambiente e coordenação de conteúdos do currículo, baseados na continuidade da vivencia passiva e ativa do educando que intera-se com o outro, somando e dividindo informações por meio das práticas pessoais, embora ainda estejamos num sistema arcaico de educaç

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Por necessitarem de cadeiras para se locomover foram impedidos de aprender,ir à escola?








O fato de estar faltando uma pétala fez com que essa margarida deixasse de ser uma linda flor?








Todos continuam sendo quem nasceram pra ser,a diferença, é simplesmente o que nos permitimos sentir ao olhar pra eles...


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A filosofia da educação:

Examinar a realidade,o “porquê tudo é assim” é o início da descoberta. O pensamento filosófico vai além do que já é, inicía-se pelos resultados do questionamento do pensamento científico,é examinador e meditante que busca questionamentos às próprias questões.


Fazer surgir uma criticidade em um ser depende muito curiosidade individual.A criança por si só já nasce questionando.A fase do “por que?” É a melhor oportunidade de levá-la a desenvolver pensamentos em que não se conformem com uma simples resposta como “porque sim”.
A prática de ensinar deve refletir sua finalidade.

Deve analisar o porquê de fazer.Ou seja,passear entre a lógica da ação e a prática da ação.
A forma correta de pensar não aprendemos em um curso.É formada na relação educador e educando.
Questionar as práticas pedagógicas atuais na escola, na comunidade e a forma de vida dos alunos ,torna-se cada vez mais necessário e mostra a necessidade de inovação do sistema de educação.
Porém, o ato de  refletir deve vir paralelo à prática, será inválido,as práticas devem ser abrangentes e produzir resultados.Pois de que adianta somente pensar no problema e não encontrar solução?
A filosofia da educação é realizada com o auxilio de quatro práticas metodológicas em conjunto.

Práticas  metodológicas da filosofia da educação
Prática crítica ,em que avalia há teorias de interesse individual de um grupo em textos e artigos publicados.
Prática terapêutica que foca os problemas levantados e aperfeiçoa os textos, prática utópica discute o que realmente pode ser útil nas ações pedagógicas e confronta com o objetivo de avaliar se pode ou não ser aplicado para melhorar as práticas pedagógicas,e prática redescritiva, que reescreve os textos Pedagógicos,reavalia as praticas pedagógicas e redefine os sujeitos envolvidos nessas práticas para uma melhor possibilidade de criar novas ações e restabelecer mudança na educação.
O conhecimento como forma de se libertar...

Cada ser entende a realidade de maneira individual.
Cada um tem a visão de sua realidade.O homem vive preso em seus próprios conceitos sem muitas vezes se questionar o por quê.Entender que não somos donos de “nossos” atos e pensamentos não é tarefa fácil,mas um pensamento questionador.
Viver com uma só verdade é se privar do conhecimento , é perder a oportunidade de descobrir se nossas percepções são realmente a realidade.E isso só pode ser possível através da educação, da busca pelo conhecimento da desconstrução do que se vê como verdadeiro dando lugar à revelação das coisas ocultas .
A busca pela nova realidade é a formação que deve acontecer por toda a vida do educando.Ao descobrir o novo ele transforma tudo a sua volta para se adaptar a ela e continuar a construir o seu mundo baseado naquilo que agora crê ser a sua realidade.

Sugiro como ilustração assistir o vídeo seguindo o link:  http://www.youtube.com/watch?v=M-bN742UDb0

Aprendizagem um processo complexo
Em uma comparação do aprendizado em sala com uma panela de pipoca, um texto de Rubem Alves  mostra a possibilidade de haver diferenças de níveis de  aprendizado.
Existe a possibilidade de algumas crianças apresentarem mais dificuldades ao mesmo tempo que outras tenham mais facilidades para aprender.
No texto podemos entender com a ilustração que pipocas são as crianças que  se desenvolvem mais e piruás as que têm um pouco mais de dificuldades.
A lógica é deixar claro que em uma sala de aula embora seja exposto à todos da mesma forma,não será incomum que o conteúdo não venha ser absorvido com a mesma “qualidade” por todos por cada aluno possuir vários fatores que envolvem o contexto de sua vida,determinando portanto que a aprendizagem é
um processo complexo.

O pensamento complexo

Para conhecermos o todo precisamos examinar as partes,a complexidade está em tudo a nossa volta e existem algumas complexidades possíveis de criarmos um raciocínio linear.,porém quando se trata de assuntos voltados para a forma como as pessoas pensam,o que sentem,como se comportam,não é possível termos esse raciocínio linear.
O pensamento complexo não se detém apenas no que deve ser questionado ou no que deve ser pensado,mas na descoberta,no que há após a quebra de paradigma,no “pra quê” foi impugnado.
Relacionando à aprendizagem, há um motivo,existe uma razão pela qual ele deve ser detida.
Isso caracteriza uma série de elementos chamados de percepção, atenção, e memória que juntam-se para formar o sistema complexo da aprendizagem.

As ciências cognitivas
Aprender é algo típico da espécie humana.Faz parte de seu organismo adquirir  conhecimento.O cérebro está condicionado a esse fato.Porém, não se aprende somente com o cérebro,nem somente na escola,mas em toda parte e durante toda existência.Mas a necessidade de conhecimento, embora inata, é puramente biológica.Por isso,não há como separar a busca pelo conhecimento e sua função biológica bem como social,pelo fato de a humanidade ser moldada pela cultura a qual pertence.Essa analogia nos ireciona para a relação corpo e mente,desenvolvimento Físico e racional e, automaticamente, social e cultural.
Portanto o homem transforma e interage com o meio transformando a si mesmo.
As ciências cognitivas fazem parte do estudo da aprendizagem por levantar questões do conhecimento,a natureza do conhecimento,a sua origem e sua dinâmica.Teve início em 1948 com o objetivo de discutir sobre como o sistema nervoso central controla o comportamento,desenvolvendo uma comparação entre o computador e o cérebro humano.
Para acrescentar sugiro a leitura de um texto de Adriano Pasqualotti “O cérebro e o computador” :
http://usuarios.upf.br/~pasqualotti/contemporaneos.htm

O nosso sistema nervoso e o processo de aprendizagem
Segundo o filósofo e poeta Bachelard o conhecimento simboliza a realidade,por isso exige que tenhamos a noção de nossas limitações para que possamos superá-las.

Memória emoção,aprendizagem e inteligência
Com isso,nossa curiosidade não deve ser menor que a vontade de criar,ou corremos o risco de nos equivocarmos em convicções.Ou somente na busca pela realização do material e da auto-ealização.
O conhecimento deve gerar em nós algo mais profundo como uma experiência,não só mudar a nossa visão a respeito de algo.O que gera na verdade são novos conceitos desconstrutores dos já sabidos para com o confronto transformar o saber atual.
E o obstáculo maior é realmente um pensamento fechado, vazado apenas em suas próprias idéias que não permitem mudança.
Temos que focar nossa busca nas hipóteses do real, aproveitar as oportunidades para expandir nossa mente raciocinando sobre o que nós chamamos de realidade.

O sistema nervoso e nossa percepção do mundo.

 




Nossos olhos nos enganam.
Somos prisioneiros do nosso próprio cérebro.
Aquilo que vemos na verdade é a interpretação que nossas idéias fazem e pode não ser realmente o que é de verdade.
Acreditamos somente no que queremos acreditar.
Alguma vez você já viu um tipo de verde e outra pessoa afirmou piamente ser azul?
Que cor você vê nesse esmalte,verde ou azul?

O ato de aprender não é cumulativo.são interligações de informações que vão tomando posições no novas no cérebro.
Percebemos o que no cerca através de nossos sentidos,audição, visão,tato, olfato e paladar.
Porém, o que eu vejo não é necessariamente o que outra pessoa vê.
Da mesma forma temos que ter consciência que nossos alunos não terão a mesma visão sobre determinado assunto.
Nem sempre o que vemos é o correto.
5A1B4 T4MB3M 6UE 0 C0223T0 N3M 5EMP2E É 0 6UE V3MOS.
Mesmo assim interpretamos à nossa maneira.

Se você conseguir ler as primeiras palavras o cérebro decifrará automaticamente as outras…



(3M D14 D3 V3R40), 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314.
3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45
3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U
7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4.
4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0,
C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4
C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40:
G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 ,3 ,M415 C3D0 0U
M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4
C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! 3N73ND1 6U3 S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 D3 4R314.
Nosso cérebro tem a capacidade automática e inata de converter informações para nosso entendimento.Algumas pessoas ao lerem esse “texto” terão maior facilidade que outras.Isso irá depender da sua percepção.


Construímos nosso eu através de nossa história,por isso,nossas memórias não são só lembranças de acontecimentos,mas a construção de fatos que já vivemos e que interpretamos de forma diferente cada vez que a descrevemos.
A memória funciona da seguinte forma:Primeiro,captamos um dado do ambiente,(codificação),em seguida,conservamos a informação em nosso cérebro, (armazenamento) logo recorremos aos dados captados e armazenados ( recuperação).
A codificação funciona de três maneiras: a captação sensorial,que armazena os dados por pouco tempo,porém esses dados passam por uma triagem em que a julga se é um dado importante ou não.esse processo julgamento é feito pelo nosso sistema atencional que pode ou não transformar a memória em longa ou de curta duração.Caso se repita ou envolva emoções intensas essa memória se conservará
a longo prazo a qual chamamos de automatizada.
Sugestão de matéria :
http://scriptorium-virtual.blogspot.com/2008/03/as-crianas-aprendem-tica-imitando-os.html

O aprendizado baseado em memorização, chama-se aprendizagem mecânica ou superficial,pois na verdade não foi aprendido, apenas memorizado e evocado uma vez.Por outro lado,quando nos aprofundamos a respeito do objeto estudado e o associamos às informações que já havíamos detido no cérebro ou sentimos mais afinidade, temos um aprendizado de forma profunda.
A memória desaparece, enquanto a aprendizagem profunda, molda a inteligência.
A inteligência muitas vezes interpretada de forma errônea,pode ser definida também,como a capacidade resolver problemas e aprender com eles.Foi inventado como forma de aferir a inteligência os testes de QI,em que medem o grau de idade mental de crianças parcialmente retardadas para que lhes fossem de direito educação de acordo com suas necessidades.
Porém,os testes não são confiáveis, haja vista que não levam em consideração o contexto de vida como situação financeira e localidade de moradia por exemplo dos testados.
Matéria da revista Super Interessante que discute o tema:
http://super.abril.com.br/cotidiano/brilhantes-natureza-443880.shtml
Na verdade existem pessoas com diferentes tipos de inteligências,ou uma pessoa desenvolve mais um tipo de inteligência que outra. Ser classificado como mais ou menos inteligente também pode prejudicar 
o aprendizado da criança.Porém é possível identificar se tem tendências acadêmicas ou não ainda nos primeiro anos de aprendizagem.
Um vídeo de uma criança considerada incrívelmente inteligente pode ser visto no link:
http://www.youtube.com/watch?v=wqtvNwZr-1o&feature=related
Percebemos que depois de alguns instantes em que está sendo exibida, a menina diz “posso brincar agora?” como se tivesse que fazer um esforço para terminar e só assim poder brincar;pergunta onde outra pessoa vai,mostrando, inconscintemente a a vontade de sair.
tudo que ela disse foi memorizado.percebemos que ela não demonstra conhecimento profundo de pouco de tudo que decorou.A vontade da pessoa adulta que estava gravando era exatamente exibir sua capacidade enquanto que a menina queria na verdade olhando o tempo inteiro a sua volta e falando tudo rápido sair e
brincar como criança.
Outra matéria que complementa o tema pode ser vista através do link:
http://super.abril.com.br/ciencia/inteligencia-447711.shtml

Aprendizagem,psicologia,motivação e problemas de aprendizagem
A psicologia e a aprendizagem:
A aprendizagem pode ser estudada pelas quatro escolas psicológicas que são comportamentalista,psicanalista, humanista ou cognitivista.
Comportamentalismo: Dividido em três estágios,estímulo,comportamento e reforço.No comportamentalismo,a aprendizagem se dá através do condicionamento gerado pelos estímulos(Behaviorista).
Psicanalismo:Defende que forças recíprocas estimulam a mente gerando a aprendizagem através também do confronto.A escola deve trabalhar o ego para que emoção e razão controlem a personalidade. Contradiz a visão comportamentalista a autonomia no conhecimento.
Humanismo: Influenciada pela filosofia existencialista do filósofo francês Jean-Poul Sartre e destaca a construção da subjetividade e construção do ser.

Motivação para Aprendizagem:

A motivação pode ser definida como algo que de forma externa leva a uma ação ou comportamento observável.
Quando se deseja a contínua ação positiva de uma criança ,usamos a recompensa, ou seja,o estímulo repetido gera o habito.Quando se deseja anular uma ação indesejada usamos a punição.
Na psicanálise, a motivação está ligada a saciedade de necessidades como fome, sede,
sexo,etc..Para Freud,fenômenos inconscientes como sonhos,podem influenciar na motivação.
Os psicólogos afirmam que a criatividade é motivadora de descobertas.
Sabemos que há motivações que contribuem para uma boa aprendizagem e outras que atrapalham. Podemos citar alguns por exemplo: envolvimento emocional do aluno com o objeto estudado,ansiedade,necessidade de exploração e descoberta.
Esses fatores são os responsáveis por gerar uma aprendizagem superficial ou profunda.
Nosso foco como educadores deve ser acima de tudo o aprendizado em si,não só os resultados.

Como se aprende e a questão dos “problemas da aprendizagem”

Para aprender,é necessário desestruturar conceitos e agregá-los a novas idéias, ou seja, criar conflito de idéias existentes com novas idéias,por esse motivo alguns problemas podem surgir.
Como educadores cabe a nós estudar esses problemas e busca estratégias para exaurí-los e evitá-los.
Se a organização dos planos pedagógicos e de aula não levarem em conta o contexto de vida do aluno e não forem voltados à sua realidade,se não houver participação desses alunos no desenvolvimento destes,situações geradoras de problemas serão inevitáveis.A participação do aluno na aula é determinante ao seu aprendizado.
A tempos o professor era visto como o detentor do saber.Sabemos que isso é um conceito arcaico.Ensinar a partir do que já se sabe é bem mais prático. O aluno que questiona, que argúi e expõe seu ponto de vista cresce no aprendizado e auxilia o mesmo aos alunos a sua volta bem como muitas vezes o professor.
Como disse Paulo Freire, “Não há saber mais,ou saber menos.Há saberes diferentes.”

Hábitos de estudo e desenvolvimento da expertise.

Expertise pode ser caracterizada como uma habilidade particular de desenvolver bem uma tarefa específica de um domínio.
Pessoas que possuem a expertise,dedicam-se aos estudos de forma intensa se responsabilizando pelo seu aprendizado,levando-se a atingir altos níveis de conhecimento e domínio das tarefas para isso.Para tanto essas pessoas criam estratégias disciplinadas para atingir suas metas de forma eficaz.


CONCLUSÃO

Só sabemos o que tem por trás do muro quando nos aventuramos a derrubá-lo,e acomodar-se atrás dele é limitar-se, definhar na prisão de uma convicção e não dar importância ou valorizar as possibilidades vivendo com uma única certeza, sem a grande aventura do questionar, rejeitando a autêntica capacidade humana de pensar,pensar sobre o que já foi pensado e pensar em como e por que está pensando.
É importante aprendermos sobre como aprendemos.As ciências cognitivas me ajudaram a entender melhor o processo cerebral,as habilidades produzidas pelo sistema nervoso e o processo de ensino e aprendizagem. Conhecendo a evolução cognitiva da criança em sua pré-aprendizagem e a constituição do conhecimento necessário será inevitável chegar ao desenvolvimento desejável.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A IMPORTÂNCIA DA PONTUAÇÃO


Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim:

Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres


Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna? Eram quatro concorrentes.
1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:


Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:


Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:


Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:


Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

Vejamos outro caso:
Como pontuaria o seguinte?  

Senão comer a garota morre

  • Se não comer,a garota morre!
  • Se não comer a garota,morre!
PODEMOS PERCEBER COMO UMA VÍRGULA LOCALIZADA CORRETAMENTE É IMPORTANTE!PRINCIPALMENTE EM PALAVRAS COM SENTIDO DUPLO.


COMO PONTUAR A FRASE SEGUINTE USANDO SOMENTE DOIS PONTOS E DUAS VÍRGULAS?

Maria toma muitos banhos porque sua mãe disse ela me dá a toalha

(Antes de vê-la pontuada,tente fazer você mesma(o) a pontuação).

AGORA COM A DEVIDA PONTUAÇÃO:

Maria toma muitos banhos porque sua.Mãe,disse ela,me dá a toalha.

NÃO ESQUEÇA: O QUE VOCÊ QUER COMUNICAR DEPENDE MUITO DE SUA PONTUAÇÃO.

 Poderíamos afirmar também:


"A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras.
Nós é que fazemos sua pontuação. E isso faz toda a diferença..."






 





 


















sábado, 12 de junho de 2010

LIVRO DE PEDRO DEMO Sociologia da Educação:Sociedade e suas oportunidade


FICHAMENTO DO CAPÍTULO 6 "ALGUNS TEMAS RELEVANTES"

DEMO, Pedro. Sociologia da Educação:Sociedade e suas oportunidade.Brasília. Plano Editora, 2004

Idéia central do autor :
Destacar temas sociológicos tratando estratégias educacionais para situações que possibilitem um bom desenvolvimento social.


Argumentos do autor :

EDUCAÇÃO E CIBERESPAÇO:
• Computadores como motivação para intensificação de conhecimento levando em conta seu uso satisfatório;
• Cada vez mais se torna possível relacionar-se com as mesmas emoções e cumprir tarefas de forma virtual que antes eram impossíveis, porém, o aprendizado só é possível de forma presencial;
• É impossível hoje viver sem a tecnologia, no entanto, o desafio do educador é recriar uma educação que venha habilitar para o uso adequado desses recursos tecnológicos desde sua criação, haja vista que as formas atuais destacam mais a fixação de um conteúdo que a maneira pela qual ele está sendo aplicado.

EDUCAÇÃO VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS
• A violência intensificada pelos “criminosos inteligentes” equipados tecnologicamente de forma a se fortalecer financeiramente ao ponto de corromper o Estado, formando bases capazes de manter o controle mesmo de dentro dos presídios, que pela corrupção do sistema se desencadeiam em escolas de banditismo;
• A violência independe da classe social do indivíduo. Os mais favorecidos financeiramente agem com uma certa violência quando desobstruem os direitos dos mais pobres quando abrindo brechas na lei usam de subterfúgios e impedem os mais pobres de usufruir de direitos adquiridos com o pagamento de impostos.
• Violência educada usada em disputas por vagas de empregos ou imposição (ou não) de ideologias, que incentivam a rebeldia contra o sistema.

INDISCIPLINA E NOVAS GERAÇÕES:
• Liberdade sem equilíbrio de não se cumprir regras como causa de indisciplina dessa nova geração;
• Abuso de direitos atualmente criados a essa nova geração a torna cada vez mais diferentes das anteriores;
• Necessidade de uma reestruturação da educação para que uma motivação maior de estudantes ao conhecimento cabe aos professores que indiretamente são desmotivadores;
• O lúdico infantil pode ser um meio de inovação para motivar;
• Minha liberdade é baseada na liberdade do outro para uma bem comum;

EDUCAÇÃO, PAZ E SOLIDADRIEDADE:
• Ser solidário tem se tornado status, mas é visto intrinsecamente que a intenção é puramente de promover-se sem intenção verdadeira de transformação de circunstância;
• Necessidade de solidariedade na educação para uma boa qualidade essa relação pode ser vista na educação do trânsito;
• Antagonismo entre solidariedade e fundamentalismo árabe ou norte-americano;

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
• Uma educação não pode ser voltada para o capitalismo;
• O neoliberalismo opta por pessoas que criem sem argüir embora isso seja uma realidade utópica,
• A emoção tem sido forma de induzir o trabalhador a uma educação profissional limitada que propende a empresários o lucro e ao poder público marketing. Mesmo tendo gerado benefícios, paralelamente não se facilita a produção sem trabalho árduo.
• Com a criação da LDB a educação profissional passou a ser vista como meio para alcançar uma cidadania, adquirir visão política e renovação de conhecimento.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL
• Somente a ameaça à nossa existência nos alertou da atual situação de destruição do planeta;
• Conscientização de ética ambiental dentro do cotidiano de cada indivíduo;
• A educação ambiental nas escolas desperta a visão de que os recursos naturais não são privados, mas bens comum à humanidade;
• O capitalismo impede o desenvolvimento sustentável que já é visto como a alternativa de desenvolvimento já que por ser predatório impediria a sustentabilidade;
• A destruição do planeta é reflexo da ganância egoísta do capitalismo pelo desenvolvimento;

EDUCAÇÃO SEXUAL
• Educação sexual natural pode ser vista como violenta desvantajosa às mulheres;
• A sociedade machista desperta um bloqueio na educação sexual tornando-a suja e aparentemente perigosa;
• Mudança em conceitos como virgindade, profissões antes exclusivas de homens, trazem mudanças à sociedade atual, a mulher deixa de ser vista como objeto de uso masculino e atua eficazmente no desenvolvimento social;
• Educar sexualmente sem moralismos para quebra paradigmas e obstruir a mente levando ao reconhecimento de que sexo é algo natural e necessário.
• Educação sexual não tendenciosa e diária para coibir a impostura. Com isso,possivelmente poderia se impedir a amplitude de sujeira causada pelo desejo do proibido trazendo consciência igualitária se sexos e além de informar formar para algo puro;

EDUCAÇÃO E MULTICULTURALIDADE
• Multiculturalidade opõe-se ao a divisão do eurocentrismo;
• Não existem culturas superiores;
• Educação que reforce sua cultura, porém que oriente sobre outra conservando suas raízes culturais;
• Respeitar a diversidade de cultural da nação;
• Modificações culturais são necessárias para se manterem ou desaparecem;
• Valorizar a linguagem própria de cada tipo de população com equilíbrio para que não haja equívocos educacionais;


EDUCAÇÃO E ÉTICA:
• Ética é manter comportamentos e atitudes que moralmente não interfiram na convivência alheia;
• A educação embora se fundamente criar sujeitos que criem sua própria história prepara para o coletivo;
• O aluno que apenas sabe obedecer não tem personalidade;
• Cabe ao educador manter o equilíbrio entre formar um cidadão crítico com pensamento próprio, porém que viva por um bem comum;
• Faz parte de a ética respeitar as diferenças de forma individual em sala de aula;
• Aprender a viver e conviver democraticamente entre si;

Conclusão do  autor:
 Se os profissionais da educação não forem habilitados a dar vida aos meios tecnológicos que podem contribuir ao ensino desde sua formação profissional, não passarão de instrumentos debilizadores sem vida pedagógica, pois equivalentemente contém informações que contribuem ao conhecimento e informações fúteis induzíveis ao erro;
• É necessário contextualizar a violência e combatê-la de forma que para isso não seja preciso usá-la.
• Há uma probabilidade de que a debilidade dos alunos seja um reflexo de nossa impotência em métodos inovadores.
• É indispensável à naturalidade em haver paz e democracia para uma convivência, porém torna-se necessária a rebeldia para realização de ideais mais humanos.
• Educação com autoridade, porém sem autoritarismo.
• Dar prioridade a uma educação que leve o aluno a questionar se o desenvolvimento desenfreado é viável ao planeta, lavá-lo a criar uma consciência sem moralismos, reconstruindo politicamente à realidade de forma que seja possível conviver comumente para um progresso sem destruição de recursos naturais.
• Por vivermos em uma sociedade erotizada cabe aos educadores prepararem-se adequadamente para uma educação sexual sem mitos ou tabus considerando o ambiente propício de convívio aos adolescentes.
• Criar uma educação que imponha sua particularidade que não se anule e sem fundamentalismo de homogeneização.
• É fundamental convencer sem vencer.


Apreciação
É clara a necessidade de uma reestruturação educacional. Na sociedade em que vivemos passamos por situações que exigem uma reciclagem.Valores e conceitos são deixados para trás enquanto a busca desenfreada pelo conhecimento trás um progresso dicotômico.
A educação é peça fundamental na construção do pensamento ético e crítico da cada indivíduo, não só com o intuito de levá-lo a conhecer o meio em que vive, mas de atravéz de seus limites darem continuidade a sua existência acima de tudo sem o risco de destruir-se e ao outro.


Émile Durkheim - O QUE É UM FATO SOCIAL?

Do livro: As regras do Método Sociológico.

Antes de procurar qual método convém ao estudo dos fatos sociais, importa saber
quais fatos chamamos assim. A questão é ainda mais necessária porque se utiliza
essa qualificação sem muita precisão. Ela é empregada correntemente para
designar mais ou menos todos os fenômenos que se dão no interior da sociedade,
por menos que apresentem, com uma certa generalidade, algum interesse social.

Mas, dessa maneira, não há, por assim dizer, acontecimentos humanos que não
possam ser chamados sociais. Todo indivíduo come, bebe, dorme, raciocina, e a
sociedade tem todo o interesse em que essas funções se exerçam regularmente.
Portanto, se esses fatos fossem sociais, a sociologia não teria objeto próprio, e
seu domínio se confundiria com o da biologia e da psicologia. Mas, na realidade,
há em toda sociedade um grupo determinado de fenômenos que se distinguem
por caracteres definidos da queles que as outras ciências da natureza estudam.
Quando desempenho minha tarefa de irmão, de marido ou de cidadão, quando
executo os compromissos que assumi, eu cumpro deveres que estão definidos,
fora de mim e de meus atos, no direito e nos costumes. Ainda que eles estejam de
acordo com meus sentimentos próprios e que eu sinta interiormente a realidade
deles, esta não deixa de ser objetiva; pois não fui eu que os fiz, mas os recebi pela
educação. Aliás, quantas vezes não nos ocorre ignorarmos o detalhe das
obrigações que nos incumbem e precisarmos, para conhecê-las, consultar o
Código e seus intérpretes autorizados! Do mesmo modo, as crenças e as práticas
de sua vida religiosa, o fiel as encontrou inteiramente prontas ao nascer; se elas
existiam antes dele, é que existem fora dele. O sistema de signos de que me sirvo
para exprimir meu pensamento, o sistema de moedas que emprego para pagar
minhas dívidas, os instrumentos de crédito que utilizo em minhas relações
comerciais, as práticas observadas em minha profissão, etc. funcionam
independentemente do uso que faço deles. Que se tomem um a um todos os
membros de que é composta a sociedade; o que precede poderá ser repetido a
propósito de cada um deles. Eis aí, portanto, maneiras de agir, de pensar e de
sentir que apresentam essa notável propriedade de existirem fora das
consciências individuais.

Esses tipos de conduta ou de pensamento não apenas são exteriores ao
indivíduo, como também são dotados de uma força imperativa e coercitiva em
virtude da qual se impõem a ele, quer ele queira, quer não. Certamente, quando
me conformo voluntariamente a ela, essa coerção não se faz ou pouco se faz
sentir, sendo inútil. Nem por isso ela deixa de ser um caráter intrínseco desses
fatos, e a prova disso é que ela sê afirma tão logo tento resistir. Se tento violar as
regras do direito, elas reagem contra mim para impedir meu ato, se estiver em
tempo, ou para anulá-lo e restabelecê-lo em sua forma normal, se tiver sido
efetuado e for reparável, ou para fazer com que eu o expie, se não puder ser
reparado de outro modo. Em se tratando de máximas puramente morais, a
consciência pública reprime todo ato que as ofenda através da vigilância que
exerce sobre a conduta dos cidadãos e das penas especiais de que dispõe. Em
outros casos, a coerção é menos violenta, mas não deixa de existir. Se não me
submeto às convenções do mundo, se, ao vestir-me, não levo em conta os
costumes observados em meu país e em minha classe, o riso que provoco, o
afastamento em relação a mim produzem, embora de maneira mais atenuada, os
mesmos efeitos que uma pena propriamente dita. Ademais, a coerção, mesmo
sendo apenas indireta, continua sendo eficaz. Não sou obrigado a falar francês
com meus compatriotas, nem a empregar as moedas legais; mas é impossível agir
de outro modo. Se eu quisesse escapar a essa necessidade, minha tentativa
fracassaria miseravelmente. Industrial, nada me proíbe de trabalhar com
procedimentos e métodos do século passado; mas, se o fizer, é certo que me
arruinarei. Ainda que, de fato, eu possa libertar-me dessas regras e violá-las com
sucesso, isso jamais ocorre sem que eu seja obrigado a lutar contra elas. E ainda
que elas sejam finalmente vencidas, demonstram suficientemente sua força
coercitiva pela resistência que opõem. Não há inovador, mesmo afortunado, cujos
empreendimentos não venham a deparar com oposições desse tipo.
Eis portanto uma ordem de fatos que apresentam características muito especiais:
consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e
que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se
impõem a ele. Por conseguinte, eles não poderiam se confundir com os
fenômenos orgânicos, já que consistem em representações e em ações; nem com
os fenômenos psíquicos, os quais só têm existência na consciência individual e
através dela. Esses fatos constituem, portanto uma espécie nova, e é a eles que
deve ser dada e reservada a qualificação de sociais. Essa qualificação lhes
convém; pois é claro que, não tendo o indivíduo por substrato, eles não podem ter
outro senão a sociedade, seja a sociedade política em seu conjunto, seja um dos
grupos parciais que ela encerra: confissões religiosas, escolas políticas, literárias,
corporações profissionais, etc. Por outro lado, é a eles só que ela convém; pois a
palavra social só tem sentido definido com a condição de designar unicamente
fenômenos que não se incluem em nenhuma das categorias de fatos já
constituídos e denominados. Eles são, portanto o domínio próprio da sociologia. É
verdade que a palavra coerção, pela qual os definimos, pode vir a assustar os
zelosos defensores de um individualismo absoluto. Como estes professam que o
indivíduo é perfeitamente autônomo, julgam que o diminuímos sempre que
mostramos que ele não depende apenas de si mesmo. Sendo hoje incontestável,
porém, que a maior parte de nossas idéias e de nossas tendências não é
elaborada por nós, mas nos vem de fora, elas só podem penetrar em nós
impondo-se; eis tudo o que significa nossa definição. Sabe-se, aliás, que nem toda
coerção social exclui necessariamente a personalidade individual.