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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Filmes que auxiliam na formação de educadores

1. Escritores da Liberdade (2007)

Título original: Freedom Writers
pedagogia
Uma jovem e idealista professora chega para dar aulas em uma escola de um bairro pobre, que está corrompido pela agressividade e violência. Os alunos se mostram rebeldes e sem vontade de aprender, e entre eles há uma constante tensão racial. Assim, para fazer com que os alunos aprendam e também falem mais de suas complicadas vidas, a professora Gruwell (Hilary Swank) lança mão de métodos diferentes de ensino. Aos poucos, os alunos vão retomando a confiança em si mesmos, aceitando mais o conhecimento, e reconhecendo valores como a tolerância e o respeito ao próximo.

2. Uma Mente Brilhante (2002)

Título original: A Beautiful Mind
pedagogia
John Nash (Russell Crowe) é um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava. Mas aos poucos o belo e arrogante Nash se transforma em um sofrido e atormentado homem, que chega até mesmo a ser diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos que o tratam. Porém, após anos de luta para se recuperar, ele consegue retornar à sociedade e acaba sendo premiado com o prêmio Nobel.

3. Música do Coração (1999)

Título original: Music of the Heart
pedagogia
 Quando o marido de Roberta a trocou por uma amiga de família, ela deixou a segurança de sua pequena cidade e se mudou para o East Harlem com um objetivo: dar aulas às crianças e renovar a esperança da forma mais improvável, através da música com 50 violinos. Após 10 anos de ensino, a escola decide cancelar suas aulas. Apoiada por seus amigos e pela comunidade local, ela decide lutar para manter o curso em funcionamento.

 4. Gênio Indomável (1998)

Título original: Good Will Hunting
pedagogia

Em Boston, um jovem de 20 anos (Matt Damon) que já teve algumas passagens pela polícia e trabalhou como servente de uma universidade, revela-se um gênio em matemática e, por determinação legal, precisa fazer terapia, mas nada funciona, pois ele debocha de todos os analistas, até que se identificar com um deles.

5. Mentes Perigosas (1995)

Título original: Dangerous Minds
pedagogia
 Louanne Johnson (Michelle Pfeiffer) é uma ex-militar que passa a ser professora em um colégio de afro-americanos, latinos e pessoas de uma comunidade pobre, quase todos rebeldes por natureza. Não conseguindo atenção de sua classe, ela passa a investir em métodos não-convencionais de ensino, como karatê, letras de Bob Dylan e acompanhamento pessoal.

 6. Sociedade dos Poetas Mortos (1990)

Título original: Dead Poets Society
  pedagogia
Em 1959, John Keating (Robin Williams) volta ao tradicionalíssimo internato Welton Academy, onde foi um aluno brilhante, para ser o novo professor de Inglês. No ambiente da respeitada escola, Keating torna-se uma figura polêmica e mal vista, pois acende nos alunos a paixão pela poesia e pela arte e a rebeldia contra as convenções sociais. Os estudantes, empolgados, ressuscitam a Sociedade dos Poetas Mortos, fundada por Keating em seu tempo de colegial e dedicada ao culto da poesia, do mistério e da amizade. A tensão entre disciplina e liberdade vai aumentando, os pais dos alunos são contra os novos ideais que seus filhos descobriram, e o conflito leva à tragédia.

7. O Preço do Desafio (1988)

Título original: Stand and Deliver
pedagogia
A trajetória de um professor boliviano, Jaime Escalante, contratado para dar aulas de matemática em um colégio americano de periferia. Mas, ao estilo de ''Ao Mestre Com Carinho'', descobre que os alunos são dos mais problemáticos, pouco preparados e completamente arredios. No entanto o professor insiste e consegue, com suas técnicas e muito amor, conquistar a todos.

8. O Despertar de Rita (1983)

Título: Educating  Rita
  pedagogia
 Uma cabeleireira de 26 anos, Susan White (Julie Walters), que prefere ser chamada de Rita, procura ter formação uma universitária. Ela tem como orientador Frank Bryant (Michael Caine), um professor de literatura que é alcoólatra e divorciado, sendo que sua atual companheira, Julia (Jeananne Crowley), está tendo um caso com um amigo dele, Brian (Michael Williams). Se Bryant está cheio de problemas Rita também tem os seus, pois Denny (Malcolm Douglas), o marido dela, se incomoda ao ver a mulher estudando e anseia que fique logo grávida. Enquanto Rita cresce intelectualmente sob a tutela de Bryant, ela percebe que lhe faltava autoconfiança para ir adiante.

 9. O Homem Que Eu Escolhi (1973)

Título original: The Paper Chase
  pedagogia
 James T. Hart é um estudante do primeiro ano de Direito na Universidade de Harvard. Seu maior desafio é sobreviver ao rígido e lendário professor Kingsfield, mas com a ajuda dos amigos da classe ele logo se torna um dos melhores alunos da turma. E, finalmente, ganha prestígio junto ao professor. O problema é que James novamente será provado quando descobre que a garota com quem está saindo é justamente a filha do professor.

10. Ao Mestre, Com Carinho (1967)

Título original: To Sir With Love
pedagogia
O professor Mark Thackeray (Sidney Poitier) é engenheiro, mas ficou desempregado e resolveu dar aulas em Londres. Ele começa a ensinar alunos majoritariamente brancos em uma escola no bairro operário de East End. Thackeray se depara então com adolescentes indisciplinados e bagunceiros, que estão dispostos a arruinar suas aulas. Só que o engenheiro, acostumado com hostilidades, não se amedronta e enfrenta o desafio de ensinar uma turma de baderneiros. Ao receber um novo convite para voltar a atuar como engenheiro, ele tem que decidir se pretende seguir como mestre ou voltar ao antigo cargo.

11. Além da sala de Aula


(Não recomendado para menores de 16 anos )
 Uma professora de primeira viagem com 24 anos de idade supera seus medos e preconceitos iniciais em lecionar para crianças de rua em uma sala de aula improvisada em um abrigo, fazendo grande diferença na vida delas.

12. O Primeiro da Classe
 
O Primeiro da Classe começa abordando a vida infantil de Brand Cohen (James Wolk, personagem no filme) e logo as cenas mudam e passam a retratar até o final do filme, Brand Cohen adulto.
A história mostra os obstáculos que o professor enfrentou para conseguir um novo emprego na cidade  dos Estados Unidos para onde se mudou.
Todos os problemas e obstáculos enfrentados eram devido à Síndrome de Tourette que, à época (e também nos dias de hoje) pouco se conhece sobre. Os sintomas são, de fato, geradores de constrangimentos por parte de quem os tem.


(Me desculpe, não consegui encontrar os filmes "Musica do coração " e "O homem que eu escolhi" para assistir online.)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Uma proposta metodológica para a formação continuada de professores na perspectiva histórico-social Francisco José Carvalho Mazzeu*

Cad. CEDES vol. 19 n. 44 Campinas Apr. 1998
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32621998000100006 data: 15/10/2014

Uma proposta metodológica para a formação continuada de 
professores na perspectiva histórico-social



Francisco José Carvalho Mazzeu*

RESUMO: O texto apresenta uma proposta para a formação de professores, 
baseada na pedagogia histórico-crítica. São apresentados três eixos básicos para 
orientar esse trabalho: domínio dos conteúdos escolares e formas de ensinar; 
estudo da concepção dialética; formação de uma nova atitude ético-política. A 
metodologia sugerida é similar àquela que os professores poderão usar com seus 
alunos. Procura seguir os cinco passos propostos por Saviani: a prática social, a 
problematização, a instrumentalização, a catarse e a prática social.
Palavras-chave: Formação de professores, concepção dialética, pedagogia histórico-
crítica

Apresentação


O presente texto é um resultado e um instrumento de trabalho de uma equipe de 
pesquisadores que foi se constituindo em função de um referencial teórico comum: 
a perspectiva histórico-social. Com base nesse referencial, a equipe tem 
desenvolvido pesquisas sobre a formação de professores e sobre diferentes 
aspectos do processo de ensino na escola, com ênfase especial no ensino do 1o 
grau.
Mais recentemente, a partir do início de 1995, a equipe vem realizando estudos 
sistemáticos sobre as idéias de Vigotski e seus colaboradores, através da leitura e 
da discussão de textos, alguns inéditos no Brasil, buscando identificar as 
implicações pedagógicas dessa corrente teórica.
O próximo passo desse grupo de pesquisadores é envolver professores da rede 
pública, através de um processo de formação continuada, de modo que esses 
estudos possam ser aprofundados a partir das necessidades e dos desafios do 
cotidiano da escola e da sala de aula. Esse trabalho de formação continuada, dentro 
da perspectiva histórico-social, implica a elaboração não só de novos conteúdos a 
serem explicitados a partir dos textos de autores dessa corrente, mas de uma 
forma de atuar junto aos professores que esteja coerente com esses pressupostos 
teóricos. Pretendo que este texto seja uma contribuição nesse sentido e possa, 
portanto, estimular a reflexão de outros educadores que têm atuado ou pretendem 
atuar com base nesse referencial teórico.

Alguns pressupostos teóricos


A compreensão mais profunda do processo de formação de professores na perspectiva aqui adotada implica uma reflexão sobre o próprio significado do processo educativo, na sua relação com o processo mais amplo de constituição e desenvolvimento histórico-social do ser humano.A educação é um processo fundamental para o homem porque, ao contrário dos outros animais, o indivíduo humano não recebe na sua herança genética toda a herança acumulada pelas gerações anteriores no seu processo de ação sobre a realidade.
Sendo assim, aquilo que caracteriza, de fato, um indivíduo humano, do ponto de vista histórico e social, é o seu ser genérico, ou seja, a herança cultural da humanidade, da qual esse indivíduo vai se apropriando ao longo de sua existência e que contribui para expandir.
Como se constitui essa herança cultural? Através do processo de apropriação e objetivação que caracteriza a atividade humana (cf. Duarte 1993, p. 27 ss.). O homem, ao agir sobre a realidade, apropria-se dos elementos naturais, transformando-os em objetos humanos. Nessa atividade, cria conhecimentos e habilidades que permitem reproduzir esses objetos e produzir novos objetos. A cultura humana acumula-se tanto nos objetos em si quanto na linguagem (em suas várias formas) e nos usos e costumes. A história da humanidade tem se caracterizado por esse processo de apropriação subjetiva da realidade, na forma de idéias, conhecimentos, imagens etc. e na criação de objetivações (produtos gerados a partir dessas idéias ou de sua transformação).
Também a história de cada indivíduo humano está marcada por esse processo na medida em que cada um precisa se apropriar da cultura acumulada pelas gerações anteriores, mas ao mesmo tempo precisa criar novas objetivações correspondentes às suas idéias e aos desafios de seu tempo. Cabe à educação propiciar que tal apropriação ocorra, bem como dotar o indivíduo de instrumentos para criar essas novas objetivações.
Esse referencial possibilita compreender de modo articulado tanto o processo de aprendizagem do aluno quanto o processo de formação de professores e demais agentes da prática educativa. Freqüentemente, a análise da prática pedagógica tem se baseado em uma dicotomia na qual se separam o processo de aprendizagem do aluno e o processo de formação continuada de professores. Dessa dicotomização resulta a utilização de diferentes paradigmas teórico-metodológicos para analisar esses dois processos. Nesse aspecto, a situação atual da pedagogia parece semelhante à situação da crise apontada por Vygotski (1991, pp.259-450) na psicologia, no que se refere à falta de uma concepção teórica geral que dê conta das questões comuns às áreas específicas de conhecimento, possibilitando perceber, ao mesmo tempo, a unidade e a diversidade dessas áreas.Embora sem ignorar essa especificidade, é fundamental compreender os processos envolvidos na prática educativa de modo integrado, e analisá-los à luz dos mesmos pressupostos teóricos. A perspectiva histórico-social pode dar uma contribuição para essa tarefa, na medida em que possibilita compreender a aprendizagem do aluno como um processo ativo, sem secundarizar a ação mediadora do professor nessa atividade (a importância dessa ação fica clara, por exemplo, no conceito de "zona de desenvolvimento próximo" proposto por Vigotski). A formação continuada do professor, por sua vez, na perspectiva histórico-social toma como base a prática pedagógica e situa como finalidade dessa prática levar os alunos a dominarem os conhecimentos acumulados historicamente pela humanidade. Para conseguir que os alunos se apropriem do saber escolar de modo a se tornarem autônomos e críticos, o professor precisa estar, ele próprio, apropriando-se desse saber e tornando-se cada vez mais autônomo e crítico.
Portanto, a formação continuada é analisada neste trabalho com base no conceito de humanização (cf. Duarte 1993, p. 57 ss.). Esse conceito, no meu entender, possibilita uma compreensão mais ampla e profunda dessa formação do que outros conceitos como o de profissionalização, quer essa profissionalização seja entendida sob um enfoque funcionalista (como uma equiparação do professorado a categorias profissionais com mais vantagens no âmbito da sociedade atual, como os médicos, por exemplo) quer essa profissionalização seja compreendida apenas como aquisição de uma postura prático-reflexiva ou crítico-reflexiva, na qual não seja dado o devido peso ao processo de apropriação, pelo professor, do saber acumulado historicamente.
A humanização do trabalho docente implica uma ampliação da autonomia do professor e, ao mesmo tempo, uma apropriação, por ele, de conhecimentos, habilidades e valores fundamentais da cultura existente, bem como de conhecimentos necessários para assegurar aos alunos a apropriação ativa e criativa dessa cultura. Essa humanização está limitada por relações e formas de ação no âmbito da prática pedagógica, que refletem a influência de relações mais amplas, em outras instâncias da prática social. A separação entre significado e sentido do trabalho docente, separação essa que faz com que o professor e a escola muitas vezes percam de vista os fins sociais de sua existência, decorre de relações de dominação existentes na própria estrutura da sociedade. Apostar nas possibilidades da escola como instância que pode contribuir para uma transformação da sociedade não significa retomar a crença ingênua na escola como "redentora da humanidade", mas buscar a identificação e a 
exploração de limites e possibilidades oferecidos pelas condições existentes para promover as transformações possíveis nessas condições.Esse processo requer, por parte dos educadores envolvidos na escola, um processo permanente e sistemático de reflexão. No entanto, tendo em vista esse caráter complexo e contraditório do processo educativo no qual os pólos opostos como as dimensões reprodutora e transformadora da escola, a apropriação e a criação se complementam em lugar de se excluir, entendemos que uma reflexão inspirada no pensamento dialético tem melhores condições de compreender os problemas do aprendizado escolar e da formação continuada de professores, e, conseqüentemente, encontrar soluções viáveis para esses problemas.
Em síntese, o processo de formação continuada de professores que se está propondo aqui centra-se em três eixos básicos:• o domínio do saber acumulado no que se refere ao conteúdo escolar e às formas de ensiná-lo;
• o domínio da concepção dialética como meio de desenvolver uma ação e reflexão 
autônomas e críticas;
• a formação de uma postura ético-política guiada por sentimentos e valores que 
possibilitem ao professor utilizar esse saber acumulado como meio para o 
desenvolvimento pleno do aluno e para seu próprio desenvolvimento como ser 
humano.

Propostas de ação

A orientação metodológica a ser sugerida neste texto será baseada na discussão desenvolvida por Saviani (1984, p. 71) a propósito dos métodos de ensino, na qual o autor sugere uma seqüência de trabalho composta de cinco passos que se articulam. Esses "passos", sem serem encarados como fórmula ou orientação rígida, podem fornecer um importante subsídio para uma direção do processo 
pedagógico na perspectiva do desenvolvimento pleno de alunos e educadores. Essa seqüência tem servido de referência tanto para a elaboração de propostas para o ensino dos conteúdos escolares, quanto para a orientação do trabalho formativo com os professores, de modo que eles vivenciam nesse trabalho um processo análogo ao que poderão realizar com seus alunos. Os passos sugeridos pelo autor são: a prática social, a problematização, a instrumentalização, a catarse e a prática social.

A prática social

Dentro da perspectiva histórico-social, o conceito de prática social envolve o processo mais amplo através do qual a humanidade vai produzindo e reproduzindo as condições (materiais e ideais) e as relações sociais que possibilitam sua existência. Nessa perspectiva, a prática social do professor não se identifica com a prática cotidiana, nem com a experiência de cada indivíduo. A prática social tem 
como aspecto central exatamente a relação contraditória entre o cotidiano e o não-cotidiano, bem como a relação entre a experiência de cada um e as experiências acumuladas pelo conjunto da sociedade ao longo de sua história. São essas relações contraditórias que estão no ponto de partida da formação de professores, uma vez que essa formação ocorre nessa prática social e não apenas no momento em que o professor recebe algum tipo de curso. Segundo Vieira Pinto (PInto 1982, p. 109):O educador deve compreender que a fonte de sua aprendizagem, de sua formação, é sempre a sociedade. Mas esta atua de dois modos: um, indiretamente, mas que aparece ao educando (futuro educador) como direto (pois é aquele que sente como a ção imediata): é o educador, do qual recebe ordenadamente os conhecimentos. E outro, diretamente, ainda que apareça ao educando (futuro educador) como indireto, pois não o sente como pressão imediatamente perceptível: é a consciência, em geral, com o meio natural e humano no qual se encontra o homem e do qual recebe os estímulos, os desafios, os problemas que o educam em sua consciência de educador.Compreender a formação do educador nessa perspectiva conduz a uma abordagem da questão do saber desenvolvido pelo professor, na qual se busca superar tanto a negação desse saber, quanto uma valorização que não considera seus limites e acaba reificando esse saber. Nessa questão é fundamental a idéia de que a prática cotidiana do professor é movida pelo senso comum pedagógico, o qual é constituído de fragmentos de teorias, assimilados geralmente sob a forma de clichês. O senso comum acaba criando a ilusão de um domínio das "teorias" cujos elementos ele incorpora. O professor que está imerso na sua prática muitas vezes não percebe a necessidade de romper com essa relação imediata entre pensamento e ação, o que leva a uma rejeição da reflexão filosófica e das teorias educacionais mais 
elaboradas. O professor em formação assume, muitas vezes uma postura semelhante à do homem comum, o qual, segundo Vazquez (1968, p. 14), "vê a si mesmo como ser prático que não precisa de teorias; os problemas encontram sua  solução na própria prática, ou nessa forma de reviver uma prática passada que é a experiência".
Portanto, partir da prática social na formação de professores implica não só um conhecimento da experiência de cada professor, de sua memória, de seu saber prático, mas uma ruptura com a forma de pensamento e ação próprios do cotidiano.
Uma das formas essenciais para promover essa ruptura consiste em levar o professor a se apropriar cada vez mais do saber acumulado historicamente, especialmente dos conceitos científicos e das formas artísticas de apreender a realidade. Vygotski (1979), ao analisar o processo de formação de conceitos, aponta essa função mediadora dos conceitos científicos na superação dos conceitos espontâneos. Luria (1990), a partir de pesquisa com adultos pouco escolarizados, mostra a importância dos conhecimentos elaborados, transmitidos na escola, para a superação da forma prático-utilitária de perceber a realidade.
Como promover uma apropriação significativa do saber acumulado, por parte dos professores em formação? Como desencadear um processo de reflexão que supere, sem ignorar, a experiência cotidiana desses professores?

A problematização

Segundo Saviani (1985, p. 17) a necessidade de refletir filosoficamente evidencia-se quando o ser humano se encontra diante de uma situação problemática:
 Com efeito, todos e cada um de nós nos descobrimos existindo no mundo  (existência que é agir, sentir, pensar). Tal existência transcorre naturalmente, espontaneamente, até que algo interrompe o seu curso, interfere no processo  alterando a sua seqüência natural. Aí, então, o homem é levado, é obrigado mesmo, a se deter e examinar, procurar descobrir o que é esse algo. E é a partir desse momento que ele começa a filosofar. O ponto de partida da filosofia é, pois, esse algo a que damos o nome de problema.
A problematização, nesse sentido, precisa ser entendida não apenas como identificação das necessidades que a prática cotidiana coloca para o professor, e que são por ele captadas, ou como levantamento dos temas que emergem de sua experiência anterior ou de sua história de vida, mas também (e sobretudo) como criação de necessidades novas e como colocação de novos temas como objeto de sua reflexão, em função de necessidades da prática social.
Esses temas e necessidades, para que possam romper com a forma cotidiana de apropriação (que o professor já possui), precisam ser apresentados não como algo natural, como simples "atividade" ou como informações, mas sim como situações a serem superadas, como objeto com o qual é preciso estabelecer uma relação consciente para que se possa apreendê-lo.
A problematização implica levar o professor a tomar contato com os conhecimentos acumulados de uma forma tal que:
- seja levado a considerá-los como produtos da atividade humana, como respostas encontradas e selecionadas (dentre um elenco de possibilidades) para resolver determinados impasses;
- atue perante esses conteúdos movido pela necessidade de promover seu próprio desenvolvimento como ser genérico, isto é, como membro da comunidade humana e não como ser particular, movido apenas por interesses prático-utilitários
;- perceba esses conteúdos como instrumentos necessários (tanto individualmente como coletivamente) para a libertação em relação a condições opressoras e para a ampliação das possibilidades de escolha em relação ao seu próprio futuro. Além de condição para a liberdade, é preciso mostrar que a apropriação de novos conhecimentos pode ser um momento de exercício dessa liberdade, na medida em que a apropriação efetiva de determinados conteúdos requer a realização de escolhas e a tomada de decisões.
A formação de professores aqui proposta toma como ponto de partida os problemas enfrentados pelos professores na tentativa de assegurar o domínio efetivo do saber escolar pelos alunos. Parte, portanto, das próprias dificuldades de aprendizagem da criança, considerando-as como desafio cuja superação possibilita o crescimento do professor na medida em que revela suas próprias dificuldades, seja em relação ao conteúdo escolar, seja em relação aos procedimentos de ensino. Como explica Vieira Pinto (1982, pp. 21-22),O caminho que o professor escolheu para aprender foi ensinar. No ato do ensino ele se defronta com as verdadeiras dificuldades, obstáculos reais, concretos, que precisa superar. Nessa situação ele aprende. (...) A educação implica uma modificação de personalidade e é por isso que é difícil de se aprender, porque ela modifica a personalidade do educador ao mesmo tempo que vai modificando a do aluno. Desse modo, a educação é eminentemente ameaçadora. Ela consiste em abalar a segurança, a firmeza do professor, sua consciência professoral (que teme perder o estabelecido, que é o seu forte no plano da prática empírica) para se flexionar de acordo com as circunstâncias. A resistência do aluno ao aprendizado é um fator de modificação da consciência do educador, e não uma obstinação, uma incompetência.
Provocar nos professores a necessidade de dominar conhecimentos e teorias, a partir do desafio de dar conta das dificuldades de aprendizagem dos alunos, já traz em si alguns pressupostos da maior importância para a perspectiva histórico-social:• que a finalidade principal do processo de ensino é dirigir a aprendizagem para assegurar uma efetiva apropriação do saber escolar;que as dificuldades de aprendizagem não são uma "incompetência" do aluno, mas o produto de determinadas condições que podem ser alteradas;• que o professor pode ser o principal sujeito de sua própria formação, na medida em que for capaz de tomar sua prática como objeto de reflexão crítica.
É importante ressaltar que a problematização aqui proposta não se limita a constatar as dificuldades de aprendizagem que o professor espontaneamente identifica no aluno, mas implica uma análise conjunta com o professor que contribua para alterar a própria visão que possui a respeito das dificuldades do aluno. Na alfabetização, por exemplo, é comum a identificação, pela professora, de dificuldades de aprendizagem em relação ao sistema ortográfico ou ao desenho das letras, deixando de perceber aspectos relacionados ao texto e às orações como um todo, tanto em termos de significado, quanto em termos de estrutura formal.
A partir das dificuldades de aprendizagem, pode-se levantar as formas como os professores compreendem esses problemas. Nesse momento, surgem explicações que resultam das "teorias" que de fato estão orientando o trabalho em sala de aula. Pode-se explorar as incoerências desse saber próprio do senso comum, buscando seu núcleo válido e contrapondo esse núcleo válido aos elementos de diferentes ideologias que vão deixando suas marcas no discurso pedagógico, geralmente sob a forma de clichês esvaziados de significado. Esse núcleo válido envolve, por exemplo, a percepção da importância dos conteúdos para a formação do aluno e da ação do professor para a apropriação desse conteúdo. Esse núcleo válido (que precisa ser trabalhado com vistas a superar uma prática verbalista e mecanicista) é, muitas vezes, abafado pelo discurso escolanovista arraigado no senso comum pedagógico.
Nessa reflexão sobre as dificuldades dos alunos, os professores podem perceber suas próprias dificuldades em relação a determinados tópicos ou componentes curriculares do ensino básico. Perceber e admitir essas dificuldades é um passo importantíssimo para elaborar uma nova postura perante os alunos e sua prática. Nesse processo de problematização, o debate entre professores é de vital importância, uma vez que no confronto de visões opostas, os interlocutores atuam como mediadores entre cada professor e os problemas sobre os quais se está refletindo, possibilitando a criação do que Vigotski denominou zona de desenvolvimento próximo, ou seja, cada professor no grupo poderá elaborar análises que não elaboraria sozinho e, a partir daí, realizar atividades que promovam e consolidem novos patamares de desenvolvimento intelectual. Note-se que esse resultado não decorre, de modo natural, da interação e do diálogo entre os professores, mas depende do objeto e da forma dessa reflexão e desse diálogo. Se não se toma como ponto de partida da reflexão os problemas essenciais da prática pedagógica, a interação entre professores pode se deteriorar em bate-papo, Sem maiores conseqüências para um avanço do trabalho docente. A perspectiva histórico-social concebe a aprendizagem em termos de uma relação complexa de mediação das relações sociais (mais amplas e mais imediatas) na atividade do sujeito sobre objetivações, bem como de mediação dessas objetivações na comunicação e nas atividades coletivas. A concepção de aprendizagem proposta por Vigotski é, por vezes, erroneamente interpretada como um modelo centrado apenas no dialogismo e na interação social (entendida, geralmente no sentido construtivista, sobretudo como interação entre os pares). Entre as principais objetivações que possibilitam compreender e buscar a superação de situações problemáticas estão os instrumentos e os signos. A superação de problemas de aprendizagem exige que o professor se aproprie e crie instrumentos de trabalho (procedimentos, técnicas, materiais didáticos) e, ao mesmo tempo, desenvolva um discurso significativo, fundamentado teoricamente, que possibilite compreender esses problemas e reorientar a prática no sentido da superação deles.

A instrumentalização

A realização dessas atividades vai requerer a criação de novos procedimentos e, talvez, novos materiais didáticos, o que poderá exigir a busca de novos conhecimentos.A instrumentalização consiste nesse processo de apropriação dos instrumentos e signos produzidos pela humanidade, que fazem parte da herança cultural, e, ao mesmo tempo, de criação de novos instrumentos e signos.Essa herança cultural é constituída pelo saber (conhecimentos, informações, conceitos, idéias, normas etc.). No entanto, o domínio desse saber requer a assimilação de um saber-fazer (habilidades, técnicas, operações etc.). A utilização (ou não) desse saber implica, por sua vez, um envolvimento afetivo com ele e a adesão a valores que orientem sua utilização em benefício do desenvolvimento da 
humanidade e de cada indivíduo. É preciso assimilar uma postura perante o saber.
Vale frisar que esses aspectos (conhecimentos, habilidades e valores) não estão desvinculados. Por exemplo, as habilidades podem ser formadas através da própria assimilação de informações dependendo da maneira como essa assimilação é feita. Nesse mesmo processo, pelas relações que o professor estabelece com os conteúdos escolares e com as teorias educacionais, mediado pela sua relação com os colegas, com a direção e o sistema escolar, bem como com a sociedade como um todo, é que se mudam e se consolidam valores e sentimentos que vão ajudar a orientar suas ações no cotidiano da sala de aula e, até mesmo, em outras situações da prática escolar e da prática social mais ampla.
Como esperar que um professor desperte o interesse dos alunos pela busca do conhecimento, se ele apenas receber informações de outros agentes educacionais ou de "especialistas" com a orientação de assimilar e aplicar na sua prática? O desafio da instrumentalização aqui proposta consiste em levar o professor a elaborar seus próprios instrumentos e seu discurso, através da apropriação da produção de outros. O caminho para conseguir isso seria articular essa instrumentalização com a reflexão sobre os problemas e as necessidades de uma prática, que pretende assegurar o sucesso escolar e, ao mesmo tempo, propor procedimentos, materiais didáticos e textos de fundamentação teórica que respondam às necessidades dessa prática e não se baseiem em condições idealizadas de trabalho. Portanto, o discurso pedagógico resultante de uma teoria educacional e os meios de ensino coerentes com essa teoria, para que sejam apropriados pelo professor como instrumentos de superação dos limites da prática cotidiana e do senso comum, precisam estar atuando como mediadores na relação desse professor com sua prática e com seus alunos. Isso só é possível na medida em que forem trabalhados de modo sistemático e constante, a fim de que se incorporem de modo irreversível ao pensamento e à ação do professor, passando a fazer parte, por assim dizer, "de sua natureza". Para designar o momento em que ocorre efetivamente essa internalização, pelo indivíduo, de conhecimentos acumulados socialmente, Saviani (1984, p. 75) utilizou-se do conceito de catarse.

A catarse
Saviani (1984, p. 75) conceitua a catarse utilizando a definição de Gramsci, para quem a catarse significa a "elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens". Trata-se da constituição de uma espécie de "segunda natureza", isto é, são formas de pensar e agir produzidas histórica e socialmente, que se incorporam de tal maneira na estrutura psíquica do indivíduo que as utiliza que aparecem como formas naturais, mas que na verdade resultam de um longo processo educativo.
Essa internalização do pensamento, do conhecimento e do discurso dos outros não constitui, neste caso, uma socialização na qual o indivíduo tenha que sacrificar seus impulsos e valores para se ajustar à sociedade, mas uma criação, no indivíduo, de impulsos cada vez mais humanos que possibilitam a formação de uma verdadeira autonomia.
Para que esse momento da catarse realize-se na formação do professor, é essencial que os conhecimentos, as habilidades e os valores dos quais ele se apropriou, por meio da instrumentalização, sejam trabalhados de modo reiterado a fim de constituírem automatismos. Por essa razão, a formação continuada de professores precisa buscar a irreversibilidade das mudanças provocadas na reflexão e na ação dos sujeitos envolvidos, o que demanda tempo e um esforço contínuo.
É importante ressaltar também que a formação de automatismos na perspectiva aqui esboçada ocorre de forma consciente e reflexiva. Um dos procedimentos fundamentais para esse processo é o momento em que, após conquistar um novo patamar em termos de domínio de conceitos e de formas de ensino, o professor reflete sobre a trajetória seguida, percorrendo novamente, no plano abstrato, o 
caminho que realizou. Com isso, percebe mais claramente as possibilidades e os obstáculos de seu processo de aprendizagem e, portanto, a necessidade de estar constantemente revendo e aperfeiçoando sua forma de aprender. Com isso espera-e que cada professor busque se tornar efetivamente o sujeito principal de sua formação.

A prática social

Como explica Saviani (1984, p. 76), "(...) a prática social referida no ponto de partida (primeiro passo) e no ponto de chegada (quinto passo) é e não é a mesma". É a mesma no sentido de que a transformação das formas de pensar e agir em face dos conteúdos escolares (a partir de sua apropriação em atividades universalizantes, conscientes e livres) não significa uma transformação das condições sociais objetivas da escola e muito menos da sociedade como um todo. Essa transformação precisa se dar em todas as instâncias da prática social, especialmente no âmbito da produção da existência material. Ao mesmo tempo, a prática social já não é a mesma uma vez que professor e alunos transformaram-se nesse processo, o que se reflete nas outras instâncias da sociedade.

Considerações finais

A reflexão desenvolvida neste artigo baseou-se em estudos e experiências de formação básica e continuada de professores. Atualmente, essas idéias estão servindo de base para ações de formação continuada que estão sendo desenvolvidas em diferentes municípios da região de São Carlos (SP).
Dado o caráter recente da divulgação do pensamento de Vigotski e outros no Brasil e o caráter incipiente da pesquisa de suas implicações pedagógicas, considerei importante apresentar o presente texto ainda que este se constitua apenas um esboço para a formulação de uma proposta mais detalhada de formação de professores. No entanto, essa proposta precisa resultar de uma articulação com experiências mais sistemáticas e do intercâmbio com diferentes pesquisadores preocupados com o mesmo tema.

A methodological proposal for teachers permanent formation according to a social-historical perspective

ABSTRACT: This article aims at presenting a proposal for teaching teachers based 
on the historical-critical pedagogy. It presents three basic aspects: knowledge of 
the school curriculum and methods of teaching; knowledge of dialectic; construction 
of a new ethical-political attitude. The proposal is based on the five steps as 
suggested by Saviani: social practice; problem setting; acquisition of the contents 
as instruments of action; catharsis and social practice.

Bibliografia
DUARTE, Newton. A individualidade para-si. São Paulo, Autores Associados, 1993. 
LURIA, A.R. Desenvolvimento cognitivo. São Paulo, Ícone, 1990.
PINTO, Álvaro V. Sete lições sobre educação de adultos. São Paulo, Cortez, 1982. 
SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. São Paulo, Cortez, 1984. 
_______. Educação: Do senso comum à consciência filosófica. 5a ed. São Paulo, 
Cortez, 1985. 
VÁZQUEZ, A.S. Filosofia da práxis. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968
VYGOTSKI, L. S. Pensamento e linguagem. Lisboa, Antídoto, 1979. 
_______. Obras escogidas. Madri, M.E.C./Visor, 1991, 3 vols., vol.1: Incluye el 
significado histórico de la crisis de la psicologia. 
* Unesp/Araraquara

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Uma reflexão sobre ser criança e (não) ter infância

Assisti esses dias o documentário "A invenção da infância" e fiquei pensando em como nós professores estamos conduzindo nossos alunos a pensarem a respeito de si mesmos. Nós os permitimos ser crianças? Incentivamos a curtirem a sua infância, ou "enfiamos" em suas cabecinhas que já devem pensar e agir de forma que seus futuros seja promissores e de retorno financeiro?  Vendo aquelas crianças que levam a vida tão a sério percebi que , realmente ser criança não significa ter infância. 
Tentarei descrever, de forma breve, como foi minha infância e o início de minha vida escolar. Espero ser sucinta, já que lembro de muitas coisas, tanto boas quanto ruins que sei que foram resolutas para quem sou hoje, tanto pessoal como profissionalmente.

Minha mãe me teve com quarenta anos e sou a 10ª filha, porém, tenho sete irmãos vivos. Antes de eu nascer meus pais perderam 3 filhos ainda recém-nascidos antes de virem do Ceará para o Gama DF.  (Se você assistiu o documentário sabe porque detalhei isso)  Nasci no Antigo Hospital de Base em BSB e a diferença entre meu irmão mais velho e eu é de vinte anos, portanto, fui muito mimada com presentes nas datas comemorativas e tive uma educação e disciplina que não vieram somente de meus pais. Minha infância foi divertida e muito agradável. Pude curtir todos os benefícios que crianças de minha idade, com uma família grande poderia ter. Assim como, pelo fato de ser criança meio a irmãos adultos, também acabei tendo experiências de adulto, como cuidar de sobrinhos com pouca diferença da minha idade por exemplo. Com seis anos já trocava fraldas e dava banho nos filhos de meus irmãos, mas achava tudo muito divertido, pois brincava de ser mamãe deles. Só me sentia responsável mesmo, ou, como diria, tendo alguma obrigação, quando um de meus irmãos ou cunhados me pediam para lavar seus tênis por alguns trocados. (risos)

Embora o fato de ser de uma família numerosa seja algo em comum com as crianças no documentário “A invenção da infância[1]”, percebi que fui uma criança bem diferente de qualquer uma apresentada. As crianças do Sertão da Bahia conhecem uma realidade contrária a minha infância. Desde cedo sentem o peso da responsabilidade de contribuir financeiramente com a família e perderam a essência de infância no sentido do brincar e mesmo do aprender brincando. O aprender delas consiste em saber como prender bem sisais na mula para chegar sem cair no local da moenda, ou como centralizar uma pedra meio ao aro para quebrar em pedaços menores. Assistindo pela segunda vez fiquei pensando em o que se passava pela suas cabeças no caminho entre local da colheita do sisal e a máquina de moer, ou, entre uma pedra e outra que colocavam para bater até despedaçar. Será que com as pedras brincam de ser um astronauta que pegaria pedras lunares? Ou imaginavam que o sisal é o alimento do monstro que eles como heróis deveriam derrotar? Mas quando prestei atenção no silêncio durante o trabalho, fiquei emocionada. Diversão infantil não combina com quietude. As vozes, os olhos assisados e as testas enrugadas sem sorrisos me tiraram a dúvida de que realmente não aprenderam a ser criança com imaginação para se divertirem. Mesmo aquelas em São Paulo.

A alguns anos, crianças com 10 anos tinham a casa da Barbie ou bonecos da Playmobil, barbante para brincar de cama de gato ou um saquinho de bolinhas de gude. Tínhamos tempo para brincar. Hoje, antes mesmo de chegar a essa idade, já não tem mais bonecas ou carrinhos, substituídos pelo computador, tablets ou celular com recursos inesgotáveis e se preparam para um futuro de estabilidade financeira e acadêmica. As meninas já não mais se ocupam em brincar de dar comidinha para o bebê, nem pensam em ter um bebê,mas em se formar, ter um trabalho rentável e adquirir bens que garantam o consumismo. Seria superficial se dissesse que isso é importante sim, mas de forma equilibrada ao incentivo a uma busca de realização pessoal, um casamento e uma família estruturada.  A idade de viver a infância a cada geração tem diminuído por horários de tarefas como curso de idioma, esporte, dança e televisão ou vídeo games. E as crianças de São Paulo apresentadas no documentário ainda eram da década de 90. Hoje isso é bem mais acentuado nas cidades embora no sertão da Bahia e em vários outros estados as crianças ainda vivam a mesma realidade das que vimos, ou ainda pior, já que educação para a maioria delas, embora seja um sonho, não é a prioridade.

Minha vida poderia ter sido bem parecida caso meus pais não tomassem a decisão de vir para o DF.  Não aprendi a ler logo como as crianças de minha idade aprendiam. Tive muitas dificuldades em juntar as sílabas e perceber a fonética. Com sete anos ainda não sabia ler, mas tive uma professora que marcou minha vida. Ela se chamava Sandra Claret e eu a admirava muito. Vivia a imitando. Acredito que tinha no máximo uns 23 anos e os cabelos compridos e encaracolados era o que eu mais admirava nela. Um poço de paciência e doce de pessoa. Como não conseguia acompanhar a turma na leitura, ela me desafiava. Me dava pequenos textos para ler em casa e dizia que se lesse para ela em sala no outro dia, me daria desenhos impressos para pintar, porque pintar era o que eu mais gostava de fazer. Quando li a primeira palavra da minha vida (já-ca-ré), no outro dia, ela fez uma festa na sala, trouxe balinhas pipoca, doces para comemorar por toda a sala estar alfabetizada. Depois disso, ela passou a me dar revistas em quadrinho para ler em casa (menos a do Chico Bento, pois dizia que por ele também ainda não saber ler muito bem, eu não aprenderia muito bem, mas na verdade é que as palavras eram escritas como ele falava, ou seja, sem a grafia correta). Aprendi a ler com uma pessoa que passou a ser meu ídolo. Ela não deixava que meus colegas zombassem de mim e os incentivava a me ajudarem. No final daquele ano, eu fiz uma apresentação para toda a escola lendo o juramento da formatura do pré-escolar. Mas, infelizmente a professora Sandra não chegou a ver, devido a um acidente no mês de outubro, quando voltava de um churrasco para comemorar o noivado no Zoológico de Brasília, um homem bêbado invadiu a contramão e bateu no carro em que ela e o noivo estavam. Ela faleceu três dias depois. Lembro que fui ao velório na igreja de São Pedro no Setor P Sul da Ceilândia. Não tenho muitas lembranças dos anos seguintes mas sei que reprovei a 2ª série. Por isso, acredito que minha paixão por educação, professora, venha de meus anos escolares iniciais. Não fui inspirada ou incentivada pela família como deveria, mas a professora que me alfabetizou causou um grande impacto na minha aprendizagem.

A aprendizagem fica mais gostosa quando a associamos a algo que gostamos. E, mesmo adultos, ainda gostamos de brincar.

Que nós professores pensemos nisso. Temos crianças que precisam ser crianças a seu tempo. Ao invés de na primeira aula de educação infantil perguntarmos "O que você que ser quando crescer?" escolhamos questionar " De que vocês querem brincar depois de nossa tarefinha?" e deixemos que cada um ,a seu tempo, alcancem o êxito da aprendizagem e desenvolvimento através de nossa mediação.

Um grande Abraço.
Clara Leandro.


Assista o documentário acessando: http://portacurtas.org.br/filme/?name=a_invencao_da_infancia


[1] INVENÇÃO da Infância, A. Direção: Liliana Sulzbach. M. Schmiedt Produçõe.s Porto Alegre – RS, 2000. 26 min. Son, Color, Formato: 16 mm.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Início da agricultura e pecuária no Brasil - ATIVIDADES DE GEOGRAFIA PARA 5º ANO

PARTE ÚNICA: PAISAGENS DO BRASIL/PAISAGENS RURAIS/PAISAGENS URBANAS/A AGRICULTURA E A PECUÁRIA NO BRASIL/PLANTAS EXÓTICAS COM SABOR BRASILEIRO/
A seca nordestina
A seca que atingiu o nordeste no começo de 2012 foi a pior dos últimos 30 anos. A região mais afetada foi o semiárido nordestino, principalmente do estado da Bahia. Neste estado, cerca de 230 municípios foram atingidos. Municípios de Alagoas e Piauí também sofreram com a falta de chuvas. A seca trouxe muito prejuízo para as principais fontes de renda da região: pecuária e agricultura de milho e feijão. Ao contrário do que muitos pensam, a seca não atinge toda região nordeste. Ela se concentra numa área conhecida como Polígono das Secas. Esta área envolve parte de oito estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e parte do norte de Minas Gerais. 
As principais causas da seca do nordeste são naturais. A região está localizada numa área em que as chuvas ocorrem poucas vezes durante o ano. Esta área recebe pouca influência de massas de ar úmidas e frias vindas do sul. Logo, permanece durante muito tempo, no sertão nordestino, uma massa de ar quente e seca, não gerando precipitações pluviométricas (chuvas). O desmatamento na região da Zona da Mata também contribui para o aumento da temperatura na região do sertão nordestino.
FONTE:
http://www.suapesquisa.com/geografia/seca_nordeste.htm: com adaptação da professora

1. O texto sobre a seca do nordeste fala sobre os principais prejuízos, quais são eles?(1,0)  .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
2.Faça um resumo com suas palavras sobre o que  o texto quer dizer: (1,0)  
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3.De acordo com o conteúdo estudado em sala, o que os colonizadores introduziram na agricultura do Brasil?(1,0)
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4. De acordo com o texto do livro, descreva o começo da pecuária no Brasil:(1,0) 
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5.Qual foi a região mais afetada pela seca? (1,0) 
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6. Quando os portugueses chegaram no Brasil, os índios já praticavam a agricultura. Quais alimentos os índios plantavam? (1,0)
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7. No corte de carne do Boi como é dividido o tipo de carne? (1,0)
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8. De acordo com o conteúdo estudado,enumere a segunda coluna de acordo com a primeira : (1,0)



1. Planta originária da Oceania, na Ilha de Nova Guiné.
2. Continente para onde a cana de açúcar foi levada.
3. Navegador que trouxe a cana- de- açúcar para a América.
4. Local onde o açúcar era produzido e transformado em combustível.
5. Combustível fabricado com a cana de açúcar.
6. País maior produtor de cana de açúcar do planeta.
7. País de origem do café.
8. Fruto estimulante que chegou ao Brasil no século XIX.
9. Homem que trouxe o café para o Brasil.
10. Componente do café usado em produtos farmacêuticos.
11. Atividade pela qual o Brasil é conhecido como maior exportador do planeta.


(   )Engenho
(   )Continente Asiático 
(   )Cana de açúcar.
(   )Cafeicultura
(   )Álcool
(   )Brasil
(   ) Etiópia (Kaffa)
(   )Café
(   )Cristovão Colombo
(   )Francisco de Melo Palheta
(   )Cafeína


9.Observe  a parte do Planisfério que está abaixo e faça o que se pede: (1,0)
a)Pinte o lugar origem da cana de açúcar
b)Pinte o lugar de origem do café
c)Trace com o lápis o percurso desses locais ao Brasil 









Ninguém ignora tudo.
Ninguém sabe tudo.
Todos nós sabemos alguma coisa.
Todos nós ignoramos alguma coisa.
Por isso aprendemos sempre.

(Paulo Freire)

terça-feira, 13 de maio de 2014

PONTOS EXTREMOS DO BRASIL - Exercícios

PARTE I - LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL:
Brasis
(...) Tem um Brasil que é próspero, outro não muda.
Um Brasil que investe outro que suga.
Um de sunga, outro de gravata.
Tem um que faz amor e tem o outro que mata.

(...) Tem um Brasil que soca outro que apanha.
Um Brasil que saca, outro que chuta.
Perde, ganha, sobe, desce...
Vai à luta bate bola, porém, não vai à escola.

(...) Oh pindorama, eu quero seu porto seguro,
Suas palmeiras, suas feiras, seu café...
Suas riquezas, praias, cachoeiras.
Quero ver o seu povo de cabeça em pé!
Trechos da musica interpretada por Seu Jorge
Fonte: http://brasis.seujorge.letrasdemusicas.com.br/

1. Após ler os trechos da musica “Brasis” citados, responda:
a) O que o autor da letra da musica quer dizer nos versos citados? (5,0)
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b) O que há na letra da musica que podemos relacionar com a realidade do Brasil hoje? (5,0)
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PARTE II: QUE PAÍS É ESSE? / PONTOS EXTREMOS DO BRASIL/ BRASIL, MEU BRASIL BRASILEIRO.
1.De acordo com o que estudamos em sala, sendo o Brasil o 5º maior país em extensão do mundo, escreva quais são os quatro países maiores que o nosso, seguindo a ordem: (1,0)
1º.......................................  2º................................... 3º.................................................. 4º...........................................
2.  Como se chamam os símbolos que representam as Unidades Federadas do Brasil? (1,0)
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3. Qual termo usamos para classificar a naturalidade e a nacionalidade das pessoas? (1,0)
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3. Qual é a menor Unidade Federada do Brasil? (0,5)
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4. Qual é a menor Unidade Federada do Brasil? (0,5)
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5. De acordo com o mapa político e o texto, apresentados no livro, como é a divisão do território brasileiro? (1,0)
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6. Marque um X somente nas afirmativas corretas: (1,0)
(    ) Todas as Unidades Federadas do Brasil que  possuem nomes muito grandes são chamadas de  Siglas.
(    ) Cada uma das Unidades Federadas do Brasil tem uma forma, uma extensão, um nome, uma sigla, uma bandeira e um gentílico.
(    ) Muitas Unidades Federadas do Brasil, bem como suas capitais, possuem nomes de origem Tupi.
(    ) O Distrito Federal é um estado,porém sem capital.
(    ) Algumas Unidades Federadas do Brasil tem o tamanho,ou são maiores que alguns países.

7. Obseve o mapa abaixo e siga corretamente as indicações: (1,0)
1º. Com uma régua trace a ligação dos Pontos Extremos do Brasil de Norte a Sul e de Oeste a Leste;
2º Escreva adequadamente o nome do Ponto ao Norte, do Ponto que está ao Sul, do Ponto que está a Oeste e do Ponto que está a Leste;





”A tristeza, que me toma é te ver tão mal amado
por um povo desinformado que desconhece a dimensão da sua força.”
(Beatriz Mutsva)



Ótima Prova!